TRIBUNA DE MINAS - 2020.17.11 - OPINIÃO - COMENTÁRIO

2020. 11.17 - TRIBUNA - OPINIÃO - 



Tadeu Silva
Consciência política e centrão são díspares. Avaliações precipitadas correm o risco de não perceber injunções além do superficial. A enorme abstenção revela o quê? Medo da pandemia, medo da política, resposta à prática política, alienação (?!?). Em São Paulo (domicílio do articulista) o Suplicy foi o vereador mais votado. Boulos saiu da condição de pária do discurso oficial (um Lula metalúrgico), Estadão, Globo, Folha, para o 2º turno (um Lula necessário), que a realidade renitente torna imprescindível e óbvio, apesar da "tutela policialesca" aos movimentos sociais todos. Há cerca de um mês, uma caminhada pelos lugares históricos da trajetória negra paulistana, com 12 participantes, foi "escoltada" pela PM em todo percurso. Desvios retóricos tentam e não conseguem esconder avanços fora do controle da retórica tradicional que narra e receita os mesmos conteúdos e soluções desde a República Velha, Império, em estilo e prática retrô.
Assim falando, o centrão enquanto opção crítica do eleitorado, é uma opinião igualmente precipitada, conveniente à opinião conservadora, pois lembra o persistente clientelismo (toma lá dá cá), embora não apoiado explicitamente pelo Capitão, implicitamente, foi o escorredouro das verbas bem ou mal destinadas ao combate da pandemia. Teve até outdoors de políticos explicitando oportunisticamente, como de praxe, aproveitando e comemorando a boquinha macabra. Os auxílios emergenciais viraram moeda de troca e expandiram a popularidade do Presidente, que murchou, mas ele chegou na ponta como conquista dos canais centrais, com o mesmo apelo da política profissional, que, como diz o dito, não é coisa para amadores e sim armadores e outras dores mais.
Aqui na terrinha JF a Margarida (PT) vai testar sua densidade cronolonga, desde o MDB do Tarcício Delgado, passando pela UFJF, Câmara Federal, contra (!?) o empresário Wilson Rezato (PSB), gerador de emprego e renda, tanto que amealhou uma fortuna pessoal próxima a 90 milhões. Capital x trabalho é o pano de fundo possível de visualizar, como lembrou Preto Zezé (Cufa) no programa Roda Viva ontem. Vale lembrar, também, que no mesmo programa, o entrevistado foi indagado pela jornalista Adriana Barbosa sobre a revolução ética-estética-política, que dá nas cabeças das idéias, que acontece na sociedade com a emergência da movimentação política negra e outros movimentos. Isso para falar de um fato importante e indagador na eleição juiz-forana, que foi a não eleição do Negro Bússola (Rede), apesar de seus mais de 5.000 votos. Outro desempenho digno de registro foi a performance da candidata trans Dandara Felícia (Psol), com mais de 3.000 votos. Por fim, Obama, quem diria, acabou indo conversar com o jornalista Pedro Bial. Pronto, Trabalho Remoto feito, é continuar trabalhando.

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